Cinzas ao vento

Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto.

– Charles Bukowski.

(Fonte: c-a-n-a-r-i-o)

Via O Contador

As pessoas não se apaixonam muito hoje em dia. Elas preferem estudar, ganhar dinheiro e viver outras experiências. Faça uma enquete rápida e concluirá que quase ninguém crê no amor. Quando mais você sabe da vida, menos você se apaixona. A paixão nasce da ignorância: quanto menos sei sobre você, e mais eu quero saber, mais vulnerável eu fico. Só que atualmente ninguém mais quer saber de ninguém, além de si mesmo. Todos uns cínicos.

– Gabito Nunes (via b-a-n-d-o-l-i-m)

(Fonte: gabitonunes)

Via Seus Afagos...

Para toda angustiante interrogação, existe uma inesperada exclamação. Para toda vírgula que não te deixa ir adiante, existe um ponto final. Para toda reticência que dói para sempre, existe um novo parágrafo.

– (Caio Fernando Abreu)

(Fonte: des-centralizar)

Via Seus Afagos...
ELUCUBRO: Rabiscos na prova de gramática

elucubro:

Vou escrever pois é tudo que me resta. Nestes dias corridos a química muito me interessa, mas o restante das matérias do dia-a-dia me põem do avesso.
Sou um pensador avulso no mundo que conheço, um burro de má sorte que não sabe a diferença de predicado nominal para verbal, na verdade, sou…

Via Seus Afagos...

Desde a infância eu tenho sido
Diferente d’outros – tenho visto
D’outro modo – minhas paixões
Tinham uma outra fonte e
Minhas mágoas outra origem -
No mesmo tom não despertava
O meu coração para a alegria -
O que amei – eu amei só.
Então – na infância – a aurora
Da vida atormentada – estava
Em cada nicho de bem e mal
O mistério que me prendia -
Da correnteza, da fonte -
Da escarpas rubras do monte -
Do sol que me rodeava
Em pleno outono dourado -
Do relâmpago nos céus
Quando sobre mim passava -
Do trovão, da tormenta -
E a nuvem tem a forma
(Quando o resto do céu é azul)
D’um demônio aos meus olhos.

– Edgar Allan Poe (via eles-dizem) Via Seus Afagos...

Meus textos/fotos

Tino ao revés 
Foto SP 
Só por hoje
Ébano alvo, monocromático
Foto CG 
Atracado em alto mar


Infelizes os normais, esses seres estranhos que nunca tiveram porque ser loucos - um pai autoritário, um filho delinquente, uma casa fora do lugar, uma doença cuja cura é desconhecida, um amor delirante. Infelizes os normais, que vivem com um sorriso falso no rosto, sem história alguma para contar, sem seus dramas para exaltar, esses que perdem os sapatos, meias, guarda-chuvas e perdem a cabeça. Esses que vivem satisfeitos com tudo, sequelados pela convivência com outros seres humanos. Aos delicados, sensatos, amáveis, doces, porém loucos, meu eterno apego. E que esses saibam valorizar os sonhos, as ilusões, sinfonias, as palavras que nos derrotam e nos constroem… aqueles mais autoritários que seu pai e mais delinquentes que seu filho e mais delirado e desvairado por amores que qualquer outro. E que, por serem normais, são loucos, forçando-me a tomar uma dose de sua normalidade robótica. Me internem, estou louca! Não viverei sem uma cortina de teatro para abrir - E que o espetáculo comece! Prefiro viver fugindo a me submeter a tais absurdos.

– Fez-se outono, outonizei.  (via antigas-cartas) Via Seus Afagos...

Odeio pessoas ignorantes. Me sinto mau por não conseguir gostar de todo mundo, mas é o que sinto. Os ignorantes, os vaidosos, os usuários, os pedantes. Detesto tudo que é afetado, detesto quem não se busca. Quem se acostuma a viver, da mesma maneira como se acostuma a dormir ou comer. Viver fica uma coisa automática, pouco importante boa ou má, vazia ou não. Basta viver, como uma obrigação da qual não se pode fugir.

Por isso admiro os suicidas. São pessoas que conseguiram descobrir alguma coisa de si mesmas, apenas não tiveram coragem de enfrentar essa descoberta. E, como se ela lhes desse vertigens, deixaram-se despencar no abismo. Mas são mais dignos do que esses que simplesmente se amoldam (…)

– Caio Fernando Abreu, Limite Branco (via balburdiar)

(Fonte: perfeitasimetria)

Via Seus Afagos...

Minha palavra é o silêncio, meu momento é o nunca, meu medo é o depois, minha felicidade é invisível e meu amor, impossível.

– Caio Augusto Leite  (via ventodemaio) Via Controvérsias



“Caminho por entre as ruas já cheias do vazio da multidão,
onde está a incógnita alma dos que já passaram por aqui? 
Quisá no vil abismo das almas…
Quisá habitando entre o grande buraco existente dentro de cada mero humanoide…
Onde estar-ão, onde estar-emos?”

- Racchel V. -(einsekunde.tumblr.com


Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.

Charles Bukowski  (via filosofias-de-um-largado) Via Seus Afagos...

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…
Depois, de cada vez que me mataram
Foram levando qualquer coisa minha…
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

Mário Quintana  (via eles-dizem)

(Fonte: cinzentos)

Via Seus Afagos...

Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar ao seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas. Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez. Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso. Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o fato de serem como são e ninguém poder fazer nada. Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se veem, não sabem como são. Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem.

– Caio Fernando Abreu em Limite Branco.  (via estrelejar)

(Fonte: companhiadaspalavras)

Via Seus Afagos...

Quando se vive só, não se fala muito alto, não se escreve também muito alto: receia-se o eco, o vazio do eco, a crítica da ninfa Eco. A solidão modifica as vozes.

– Friedrich Nietzsche (via elfos)

(Fonte: duardaangel)

Via Seus Afagos...

O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou gloss. O rímel virou máscara incolor. A Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone. A peruca virou aplique… interlace… megahair… alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de moça’ viraram TPM. Confete virou MMs. A crise de nervos virou estresse. A purpurina virou gliter. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal. Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou self-service. A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. O que era praça virou shopping. A areia virou ringue. O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo. O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween. O piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e ladrão virou Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e Renato. Cássia e Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A maconha é calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais. A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar essas diferenças.

– Luís Fernando Verissímo (via feitoseu)

(Fonte: cetamourenmoi)

Via Seus Afagos...
122
To Tumblr, Love PixelUnion